quinta-feira, 19 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº124

Se meu caro amor fosse um .lho natural, 
Poderia, bastardo da Fortuna, não ter um pai, 
Sujeito ao amor ou o ódio do Tempo, 
Arrebanhado entre as flores ou ervas. 
Não, ele foi concebido longe do acaso; 
Não sofre com as alegres pompas, nem cai 
Sob o golpe de servos descontentes, 
Em que o tempo certo clama para si. 
Não teme a política, esse herético, 
Que trabalha à custa de meios expedientes, 
Mas por si só permanece altamente político, 
Sem crescer no calor, nem minguar com a chuva. 
A isso, como testemunha, clamo os tolos do Tempo, 
Que morrem pela bondade, quando vivem pelo crime.