sexta-feira, 20 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº125

Para que eu deveria erguer o dossel, 
Honrando somente as aparências, 
Ou lançar as bases da eternidade, 
Que serviria menos que o desperdício e a ruína? 
Já não vi quem tivesse uma vida abastada 
Perder tudo e, ainda, pagar caro o aluguel, 
Passar de manjares a simples repastos, 
Pobres ricos, de quem tudo foi tirado? 
Não, deixa-me servir o teu coração, 
E entregar-te meu óbolo, ínfimo, mas livre, 
Imune ao tempo, indiferente à arte, porém 
Com mútua entrega, dando-me por inteiro a ti. 
Por isso, inútil delator! Quanto mais prendes 
Uma alma verdadeira, menos a podes controlar.