segunda-feira, 23 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº126

Tu, adorado menino, que deténs em teu poder 
A ampulheta do Tempo, a foice das horas, 
Que cresceste ao vê-lo minguar, e assim mostraste 
O fim dos amantes, à medida que, doce, avançavas; 
Se a Natureza (senhora absoluta dos desastres) 
Mesmo que te adiantes, ainda te reterás, 
Ela te mantém por um motivo: com seu dom 
Desgraçará o Tempo, e matará os malditos minutos. 
Mas teme-a, tu, seu filho favorito, 
Ela te deterá, mas não guardará o seu tesouro! 
Mais cedo ou mais tarde, terás de responder-lhe, 
E sua satisfação será apenas a de dominar-te.