terça-feira, 24 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº127

Em tempos remotos, o negro não era belo, 
Ou se fosse, assim não seria chamado; 
Mas agora surge o herdeiro da negra beleza, 
E o belo está imprecado de bastardia; 
Desde que as mãos detêm o poder sobre a natureza, 
Embelezando a feiura com o falso rosto da arte, 
A doce beleza não tem nome, nem jardim sagrado, 
Vive profanada, ou caiu em desgraça. 
Os olhos de minha senhora são escuros como o corvo, 
Tão belos são seus olhos, e sua tristeza tão comovente, 
Que, mesmo sem ser bonita, ainda é bela, 
Difamando a criação com falsa estima. 
Eles se entristecem com a própria aflição, 
Ao ouvirem não haver beleza como a dela.