quinta-feira, 26 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº129

O desgaste do espírito quando se envergonha 
É obra da luxúria; e, até a ação, a luxúria 
É perjura, assassina, sanguinária, culpada, 
Selvagem, extrema, rude, cruel, desleal, 
Logo desfrutada, porém, em seguida, desprezada, 
Perdida a razão, e logo esquecida, 
Odiada razão, como isca lançada 
De propósito para enlouquecer a presa; 
Insano ao ser perseguido, e possuído; 
Tido, tendo, e quase ao ter, extremo; 
Felicidade ao provar, e uma vez provado, a tristeza; 
Antes, uma ansiada alegria; por trás, um sonho; 
O mundo bem sabe, embora ninguém se lembre 
De descartar o céu que a este inferno os conduz.