sexta-feira, 27 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº130

Os olhos de minha amada não são como o sol; 
Seus lábios são menos rubros que o coral; 
Se a neve é branca, seus seios são escuros; 
Se os cabelos são de ouro, negros fios cobrem-lhe a cabeça. 
Já vi rosas adamascadas, vermelhas e brancas, 
Mas jamais vi essas cores em seu rosto; 
E alguns perfumes me dão mais prazer 
Do que o hálito da minha amada. 
Amo-a quando ela fala, embora eu bem saiba 
Que a música tenha um som muito mais agradável. 
Confesso nunca ter visto uma deusa passar – 
Minha senhora, quando caminha, pisa no chão. 
Mesmo assim, eu juro, minha amada é tão rara 
Que torna falsa toda e qualquer comparação.