segunda-feira, 30 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº131

És tão tirana quanto todas aquelas, 
Cuja beleza orgulhosa as torna tão cruéis; 
Pois bem sabes, para meu pobre coração, 
És a joia mais cara e mais preciosa. 
Embora digam, ao ver-te, 
Que teu rosto não faça o amor suspirar. 
Não ouso dizer que estejam errados, 
Embora jure apenas para mim; 
E, para ter certeza de não ser falso, eu juro 
Mil suspiros, mas pensando em tua face; 
Todos sabem que, se trocasses de rosto, 
Eu continuaria a julgar-te bela. 
Em nada és negra, exceto em teus atos, 
Por isso penso proceder esta calúnia.