terça-feira, 1 de dezembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº132

Teus olhos, que amo, sentem pena de mim, 
Sabendo que teu coração me atormenta com o desdém, 
Vestiram-se de preto, e enlutaram-se amorosos, 
Assistindo à minha dor com compaixão; 
E, em verdade, o sol da manhã não se assenta 
Sobre as pálidas faces do nascente, 
Nem a estrela brilhante que precede a noite 
Glorifica tanto o solene poente, 
Quanto os olhos enlutados te ficam bem. 
Ah, deixa que assim pareça ao teu coração 
Prantear por mim, pelo luto te fazer bem, 
E da mesma forma a tua compaixão. 
Então, jurarei que a beleza é negra, 
E avesso o rosto que não se assemelhe ao teu.