quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº134

Assim, agora confesso que ele é teu, 
E estou empenhado à tua vontade, 
Mentirei, para que, por outro lado, 
Me devolvas o direito de me consolares. 
Mas não o farás, nem ele não será livre, 
Por seres ávida e, ele, gentil. 
Aprendeu, com certeza, a subjugar-se 
Àquilo a que apressadamente se submete. 
Tomarás as regras de tua beleza, 
A usurária que tudo desperdiça, 
E aciona o amigo que se endividou por mim; 
Perco-o graças ao meu grosseiro abuso. 
A ele, perdi; e tu perdeste a ele e a mim; 
Ele paga tudo, mas não me livro, mesmo assim.