terça-feira, 8 de dezembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº137

Tu, cego e tolo Amor, que fazes aos meus olhos, 
Que não veem o que está diante deles? 
Eles conhecem a beleza, e sabem onde ela jaz, 
Embora o bem nos custe tão caro. 
Se os olhos, corrompidos pela parcialidade, 
Ancorassem na baía onde todos trafegam, 
Por que da falsidade de teus olhos forjaste ganchos, 
Para prender a eles o que julga o meu coração? 
Por que deve meu coração prever este ardil, 
Sabendo ser o lugar-comum deste grande mundo? 
Ou meus olhos, ao verem, digam, não é verdade, 
Para emprestá-la a uma face tão vil? 
No que era certo, erraram meus olhos e meu coração, 
E agora a esta falsa praga se entregam.