quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº139

Ó, não me chames para justificar os erros 
Que tua grosseria derrama sobre meu coração; 
Não me firas com teu olhar, mas com tua língua; 
Usa a força contra mim, e não me mates por capricho; 
Dize que amas a outro, mas sob a minha vista, 
Querida, evita olhar para o outro lado; 
Para que ferir-me com destreza quando usas 
Mais força do que eu para me defender? 
Deixa-me desculpar-te: “Ah, meu amor sabe bem 
Que sua beleza tem sido minha inimiga, 
E, portanto, afasta de mim meus inimigos, 
Para que de longe lancem suas injúrias”. 
Porém, não faças isso; por estar quase morto, 
Mata-me agora com teu olhar, e livra-me da dor.