segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº141

Por crer, não te amo com meus olhos, 
Pois eles em ti veem mil defeitos; 
Mas é meu coração que ama aquilo que desprezam, 
Que, apesar de ver, se comprazem com o que sentem. 
Nem se alegram meus ouvidos ao som de tua língua; 
Nem sentimentos doces nascem de teu toque, 
Nem sabor ou perfume são bem-vindos 
A qualquer festim sensual a que me convides: 
Mas meus cinco sentidos não podem 
Dissuadir um coração tolo de servir-te 
Que deixas imperturbado como um homem, 
Escravo e vassalo de teu coração altivo: 
Somente em desgraças conto os meus ganhos, 
Pois aquela que me faz pecar, também me faz sofrer.