terça-feira, 15 de dezembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº142

O amor é meu pecado, e o ódio, tua doce virtude, 
Ódio por meu pecado, de um amor pecaminoso: 
Ah, se comparares o teu estado ao meu, 
E não achares seus méritos reprováveis; 
Ou, se forem, não por teus lábios, 
Que profanaram seus rubros ornamentos, 
E selaram falsas juras de amor tanto quanto eu; 
Roubando outros leitos de seu uso. 
Seja dito que te amo, como amas aqueles 
Que atraem teus olhos como os meus te importunam: 
Planta, em teu coração, a piedade que, quando crescer, 
Mereça a tua compaixão ser compadecida. 
Se procuras ter aquilo que ocultas, 
Pelo teu exemplo te seja negado!