sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº145

Estes lábios que a mão do Amor criou, 
Entreabriram-se para dizer, “Eu odeio”, 
A mim que sofria de saudades dela: 
Mas, ao ver meu estado desolado, 
Seu coração se tomou de piedade, 
Repreendendo a língua, que, sempre tão doce, 
Foi gentilmente usada para me exterminar; 
E ensinou-lhe, assim, a dizer, novamente: 
“Eu odeio”, alterou-se, por fim, sua voz, 
Que se seguiu como a noite 
Segue o dia, que, como um demônio, 
Do céu ao inferno é atirado. 
“Eu odeio”, do ódio ela gritou, 
E salvou-me a vida, dizendo – “Tu, não”.