segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº146

Pobre alma, centro do meu mundo de pecado, 
Alimentando as forças rebeldes que alinhas, 
Por que hás definhado de miséria e fome, 
Pintando teus muros com suntuosas cores? 
Por que gastas tanto, pagando tão pouco, 
Com a mansão onde vives em desagrado? 
Os vermes, herdeiros desse excesso, 
Comerão o que gastas? Este é o fim de teu corpo? 
Então, alma, vive com o que desperdiça o teu servo, 
E deixa a gula consumir os teus bens; 
Compra o céu vendendo as horas de fastio; 
Alimenta o teu estômago e despende toda a tua riqueza. 
Assim, sustentas a morte que mantém os homens, 
E, uma vez morta, a morte estará extinta.