terça-feira, 22 de dezembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº147

Meu amor arde como febre, ansiando ainda 
O que por muito tempo causou-me mal-estar; 
Alimentando o que me mantém doente, 
Para satisfazer o apetite incerto e doentio. 
Minha razão, o médico do meu amor, 
Zangado por sua prescrição não ser seguida, 
Abandonou-me e, eu, desesperado, agora sei 
Que meu desejo é a morte que a ciência pôs de lado. 
Não tenho mais cura, não tenho mais razão, 
Enlouquecido em eterno desassossego; 
Meus pensamentos e minhas palavras são de um louco, 
À parte da verdade expressa em vão; 
Pois te jurei ser autêntico, e acreditei-te iluminada, 
Tu, que és negra como o inferno e escura como a noite.