quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº148

Ó, vida! Que olhos o amor me deu 
Que não correspondem ao que vejo? 
Ou, se for verdade, o que houve com meu julgamento, 
Que censura mal o que corretamente veem? 
Se for justo o que meus falsos olhos vislumbram, 
O que é o mundo se dissermos que ele não o é? 
E se não for, então, o amor bem prova 
Seu olhar não ser tão verdadeiro: não, 
Como é possível? Ah, como pode o Amor ver bem, 
Se está tão ocupado em mirar e prantear? 
Não há surpresa, assim, que meus olhos vejam mal; 
O próprio sol não vê senão quando o dia está claro. 
Ah, astuto amor! Cegas-me com tuas lágrimas, 
Para que meus bons olhos não vejam tuas iníquas falhas.