quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal!

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº149

Como podes, ó cruel, dizer que eu não te ame, 
Quando, contra minha vontade, a ti me entrego? 
Não penso em ti, quando esqueço 
De mim, por tua causa, brutal tirana? 
A quem odeias, que chamo de amiga? 
A quem rejeitas, que adulo e acaricio? 
Não, se me desprezas, não me vingo 
De mim mesmo com pesar profundo? 
Que mérito me diz respeito, 
Que, por orgulho, despreze teu serviço, 
Quando o melhor de mim venera teus defeitos, 
Sob o jugo e mando de teus olhos? 
Mas, amor, me odeia, pois agora sei o que queres; 
Amar a todos que te veem, e que eu te seja cego.