quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº153

Cupido adormeceu ao lado de sua flecha. 
Uma das ninfas de Diana aproveitou o seu descuido, 
E rapidamente mergulhou a sua flama amorosa 
Numa fonte fria do vale que encontrou pelo caminho, 
E logo tirou do sagrado fogo do Amor 
Um calor vivo, eterno, permanente, 
Criando um banho balsâmico, onde 
Há cura para tantas estranhas doenças. 
Mas aos olhos da amada acendeu-se a flecha do Amor, 
Com que o menino ingênuo tocou o meu coração; 
Eu, desvalido, quis me curar em suas águas, 
E corri apressado, como um hóspede triste e destemperado, 
Mas não me curei; o banho para minha cura está 
Onde Cupido acendeu sua chama: nos olhos do meu amor.