quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº154

O pequeno deus do amor certa vez dormia 
Deixando ao lado sua flecha amorosa, 
Enquanto várias ninfas, jurando-se sempre castas, 
Vieram, pé ante pé, mas, em sua mão virginal, 
A mais bela tomou o fogo 
Que incendiara legiões de corações verdadeiros; 
Assim, a lança do desejo ardente 
Dormia desarmada ao lado da mão desta jovem. 
A flecha, ela mergulhou em um poço de água fria, 
Que se acendeu com o eterno fogo do Amor, 
Criando um banho e um bálsamo 
Para os enfermos; mas eu, jugo de minha senhora, 
Vim para me curar, e isto, assim, eu provo, 
O fogo do amor aquece a água, mas a água não esfria o amor.